Empresária faz sucesso vendendo tecidos tradicionais japoneses

Postado em 04 de outubro de 2018

Sandra Fukada, da Furoshiki Store, tem loja na Japan House, em São Paulo. Para ela, seu negócio é um “agradecimento a seus antepassados”

Sandra Fukada, 46 anos, é a fundadora da Furoshiki Store, uma loja que vende tecidos tradicionais japoneses que, ao ser dobrados, podem ser usados como bolsas, embalagens, sacolas e acessórios de vestuário. Confira abaixo um depoimento da empresária.

“Uma das palavras que eu mais ouvia em casa na infância era mottainai. Sabe quando uma criança escova os dentes com a torneira aberta?

No Japão, um adulto lhe chamaria a atenção dizendo exatamente isso: ‘Mottainai!’ Que desperdício!

Sou neta de japoneses que emigraram para o Brasil em 1933 e sempre estive cercada de empreendedores por todos os lados. Meu avô paterno tinha uma fábrica de chapéus em Okinawa, no sul do país.

Meu avô materno veio para a lavoura e após algum tempo passou a se dedicar ao comércio, com uma mercearia e uma loja de autopeças. Meus pais começaram a vida como feirantes e depois foram donos de um armazém atacadista em São Paulo.

Cada um deles trilhou um caminho, mas todos seguiam o mottainai, essa visão de que é preciso dar valor às coisas que temos e não desperdiçá-las. Isso é muito difundido no Japão, um país que passou pela guerra e por todo tipo de privação.

E se tornou uma filosofia minha também, que resgatei principalmente quando resolvi empreender sozinha, pouco mais de um ano atrás — antes disso, atuava na área de alimentação.

Queria trabalhar com artigos japoneses e enxerguei uma oportunidade no furoshiki, um tipo de embalagem muito tradicional, feita de tecido. Originalmente, o furoshiki era feito com panos reaproveitados — um quimono usado, por exemplo.

Com o tempo, passou a ser fabricado com belíssimos tecidos estampados e ganhou sofisticação. É isso que vendo hoje na minha loja, na Japan House, em São Paulo. É emocionante perceber como os japoneses e descendentes que visitam o espaço se identificam com as peças e fazem uma viagem no tempo.

Vendemos cerca de 400 artigos por mês: sinto que fazer isso é uma espécie de agradecimento aos meus antepassados, pelas dificuldades que venceram nesse país tão distante. Para mim, a tradição do furoshiki e o conceito do mottainai se encaixam perfeitamente com o movimento pela sustentabilidade.

Esse é um valor presente na educação que recebi e que procuro cultivar, tanto na vida pessoal quanto na empresa.”

 

Via: Revista pequenas Empresas & grandes Negócios